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Mique x Bush - 28/10/2007

Cássio Furtado

Ah essa semana tive um sonho. E daqueles diferentes. No meu sonho, uma figura que desprezo e outra que respeito debatiam. De um lado, George W. Bush, presidente dos Estados Unidos da América.  De outro, Miquelangelo Barcelos, o Mique, professor de geografia e atualidades do Michigan e do Média 10.
Todo aluno que passou pelo Michigan já deve ter pensado nessa possibilidade.  Mique e Bush são inimigos naturais. Opostos.  Rivais.
Mique é brasileiro. Bush é americano. Mique acredita no poder popular. Bush acredita no poder das armas. Enfim, água e vinho.  Dia e noite. 
Se um dia eles se encontrassem, o que aconteceria? O que Mique diria para Bush se tivesse a oportunidade? Boxe não vale. Vale-tudo também não. Luta de rua muito menos. A regra é clara: as únicas armas nesse debate dos sonhos são os argumentos.
Durante todo 2007, Mique atacou Bush nas salas de aula do Michigan. Bush atacou Mique de seus discursos na Casa Branca.  Agora, chegou a hora do cara a cara.
Nesse debate imaginário, os nossos temas são: globalização, meio-ambiente e o relacionamento entre os EUA e o Brasil.

Globalização
BUSH: A globalização é fantástica. A livre circulação de produtos e serviços permite que as economias cresçam e que as pessoas em geral tenham uma vida melhor. A melhoria na qualidade de vida dos cidadãos da China e da Índia é prova disso. Mesmo que a distribuição dos benefícios da globalização não seja igual para todos, os povos dos países em desenvolvimento saem beneficiados com ela. Suas economias crescem.  Seus países prosperam. Todos ganham.
MIQUE: A globalização é mais uma forma de exploração.Nos últimos anos, a desigualdade tem aumentado. Milhões de pessoas morrem de fome todos os dias na África e na América Latina. A globalização beneficia os EUA e explora grande parte dos nossos povos. Esse fenômeno deve ser modificado e adaptado para beneficiar a todos.

Meio-ambiente
BUSH: Os EUA são a favor de todas as iniciativas para a preservação do meio-ambiente. Mas é necessário dizer que o povo americano necessita de uma indústria sólida e de crescimento econômico que só vem com ela. É preciso conciliar a economia com o meio-ambiente. China, Índia e muitas outras economias em crescimento serão muito mais prejudiciais no futuro.
MIQUE: Os EUA devem, em primeiro lugar, ratificar o Protocolo de Kyoto.  Os americanos devem demonstrar ao mundo que querem deixar de ser os maiores poluidores do mundo. Além disso, os EUA têm que parar de explorar a Amazônia.  A Amazônia é nossa.  Brasileira. 

Relacionamento entre EUA e Brasil
BUSH: O Brasil é um grande aliado dos EUA. O Presidente Lula é um amigo e sempre fico muito feliz em recebê-lo na Casa Branca. Embora Lula não fale Inglês e eu não fale Português, nos comunicamos com muita mímica e caipirinha.  Além disso, temos sólidas relações comerciais e diplomáticas com o Brasil. Com o início da ALCA e com a intensificação do nosso comércio, seremos cada vez mais aliados e amigos.
MIQUE: Os EUA exploram o Brasil há séculos. A ALCA é mais uma tentativa de explorar o nosso país. O Brasil não deve ratificar a ALCA e deve, cada vez mais, se distanciar dos EUA. Devemos assinar tratados comerciais com a Venezuela, do grande e democrático Hugo Chávez, com a União Européia e com o Oriente Médio. Os EUA devem sair do solo brasileiro de uma vez por todas. 

Duas posições opostas, contrastantes, conflitantes. 
Em áreas em que não existe o certo e o errado, as visões de Bush e de Mique devem sempre estar nas nossas mentes.  Cada um deles tem a sua razão.  E a verdade, se é que ela existe, deve estar no meio das duas versões da história e da atualidade.
Após o debate, registrado pelas câmeras da minha mente, os dois se olharam e apertaram as mãos.  Bush, timidamente, disse "obrigado".  Foi aí que ouviu de Mique "goodbye".


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