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Cássio Furtado
Imagine um país onde as pessoas não têm direito a voz. Onde não há liberdade de imprensa, a menor noção de direitos humanos ou de justiça.
Poderíamos estar falando do Iraque durante o regime de Saddam Hussein. Do Afeganistão durante o governo do Talibã. Ou da China, do Irã ou do Sudão atuais.
Imagine mais. Um país onde a eletricidade é desligada todas as noites. Onde muitos morrem de fome ou com as enchentes. Um lugar que, mesmo miserável, vê o seu chefe de governo, chamado de Querido Líder, gastar milhares de dólares em garrafas do mais sofisticado rum vindo da França.
É, estamos falando da Coréia do Norte. Sim, do país que possui o nome oficial de República Democrática Popular da Coréia, mas que é tudo menos democrático ou popular.
Nos últimos anos, a Coréia do Norte, até então desconhecida, ganhou fama mundial. O seu nem tão querido líder, Kim Jong-Il, após longas horas consumindo o seu rum favorito, teve uma idéia "brilhante": decidiu construir uma arma nuclear.
Segundo ele, era o que a Coréia do Norte precisava. Ganharia prestígio. Reconhecimento. Dinheiro. Ela seria temida. Respeitada.
Pois assim foi feito. Nesse país em que não há voto ou Congresso, o que o povo pensa não chega a importar.
Em 2003, a Coréia do Norte se retirou do principal tratado sobre armas nucleares, o Tratado de Não-Proliferação. Em 2006, conduziu o seu primeiro teste nuclear.
Os experimentos da Coréia do Norte com as armas nucleares são resultado da história do país, marcada pela ditadura e pelo isolamento.
Coréia do Norte e Coréia do Sul eram, até 1945, um só país. A Coréia unificada, entretanto, estava muito longe de ser uma nação livre. Era dominada com mão de ferro pelo Japão desde o início do século XX.
Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os coreanos ficaram esperançosos. Era a sua grande chance de conseguir a liberdade.
Pois os seus sonhos não passaram disso.
Com os japoneses rendidos, veio a divisão do país. A metade norte foi ocupada pela União Soviética. Quando a URSS ruiu, no início dos anos 90, a economia norte-coreana entrou em caos. A metade sul tornou-se aliada dos EUA e hoje possui uma das maiores economias do mundo.
No norte, um ditador, Kim Il-Sung, tomou o poder ao melhor estilo comunista. Governou por quase 50 anos, quando entregou o poder para o seu filho, Kim Jong-Il.
O sul promoveu eleições e tornou-se uma democracia exemplar.
Em 1950, o Norte invadiu o Sul. Esqueceu-se de que o Sul era apoiado pelo maior poder econômico e militar dos últimos tempos, os EUA. O resul-tado era de fácil previsão: mesmo com o apoio da China e da União Soviética, o Norte saiu derrotado daquele conflito, a Guerra da Coréia.
Tecnicamente, República Democrática Popular da Coréia, o Norte, e República da Coréia, o Sul, ainda estão em guerra. Jamais assinaram um tratado de paz.
Mas há razão para esperança.
Aos poucos, as relações entre as Coréias começam a melhorar.
Em maio, pela primeira vez em 50 anos, trens cruzaram a fronteira entre os dois países.
Em outubro, os dois presidentes se reuniram, e a Coréia do Norte anunciou a sua intenção de desmantelar o seu programa nuclear até o final do ano.
Mas nada é certo. A maior caracterís-tica do relacionamento entre as Coréias é justamente a falta de certeza. Tudo pode mudar na próxima garrafa de rum.

Fiz Michigan em 2005, e pude conhecer o significado da palavra aprovação! R..."
Giovani Barbosa Oliveira
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